Síndromes respiratórias graves em alta: Fiocruz alerta para crescimento de casos no Sul do Brasil
O Brasil observa com atenção o cenário epidemiológico de doenças respiratórias, especialmente após a divulgação do mais recente Boletim InfoGripe. Desenvolvido pela Fiocruz em colaboração com a FGV EMAP, o relatório aponta um preocupante aumento nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Este crescimento sinaliza uma tendência de longo prazo que exige vigilância e medidas de saúde pública.
Os dados, atualizados até a Semana Epidemiológica 29 de 2026, indicam que ambos os estados do Sul, juntamente com o Maranhão, estão entre as poucas unidades federativas que registram uma tendência de crescimento contínuo nas últimas seis semanas. Enquanto a maioria do país apresenta estabilidade ou queda, Santa Catarina e Rio Grande do Sul permanecem em níveis de alerta, risco ou alto risco para a incidência de SRAG, conforme detalhado no boletim.
Crescimento de síndromes respiratórias graves no Sul
A análise do InfoGripe destaca que a maioria das unidades federativas brasileiras demonstra uma diminuição ou estabilidade na incidência de SRAG. Contudo, a situação nos estados do Sul do país é distinta, com um aumento persistente de hospitalizações e óbitos associados a vírus respiratórios. Este cenário reforça a necessidade de monitoramento contínuo e ações preventivas direcionadas para as regiões afetadas.
O alerta da Fiocruz sublinha que a incidência de SRAG em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul está em patamares que demandam atenção redobrada das autoridades de saúde. A persistência da tendência de alta nesses locais contrasta com o panorama nacional e indica desafios específicos na contenção da propagação dos agentes infecciosos.
Panorama detalhado no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, o painel da Secretaria Estadual da Saúde revela um número significativo de hospitalizações por SRAG ao longo de 2026. Até o momento, foram registradas 10.619 hospitalizações, com uma variedade de agentes etiológicos identificados ou ainda sob investigação.
Desse total, 3.840 casos foram associados a outros vírus respiratórios, enquanto 3.711 permanecem sem especificação. A influenza foi responsável por 2.082 internações, e a Covid-19 por 349. O estado também contabiliza 690 mortes por SRAG, com 288 de causa não especificada, 204 por influenza, 124 por outros vírus respiratórios, 62 por Covid-19 e 12 por outros agentes etiológicos.
Situação em Santa Catarina e agentes virais
Em Santa Catarina, o boletim estadual mais recente, referente até a Semana Epidemiológica 26, aponta 7.474 notificações de SRAG. Destas, 4.246 tiveram identificação viral confirmada, permitindo um entendimento mais claro dos patógenos circulantes na região.
Entre os casos confirmados, 2.781 (37,2%) foram causados por outros vírus respiratórios, 1.245 (16,7%) por influenza e 220 (2,9%) por Covid-19. O rinovírus se destacou como o agente mais frequente entre os outros vírus respiratórios, seguido de perto pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). O estado também registrou 36 mortes por SRAG associadas à Covid-19, 80 por influenza e 59 por outros vírus respiratórios no período analisado.
Impacto do vírus sincicial respiratório e outros patógenos
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é apontado como o principal responsável pelo aumento de casos no Sul do país, afetando desproporcionalmente crianças pequenas, especialmente nas faixas etárias de até 2 anos e entre 2 e 4 anos. A vulnerabilidade desse grupo etário ao VSR é uma preocupação constante para a saúde pública.
Em âmbito nacional, o VSR tem sido o vírus mais prevalente nas últimas quatro semanas analisadas, contribuindo para 57,7% dos casos positivos e 31,9% dos óbitos laboratoriais por SRAG. Nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a situação é agravada pela circulação simultânea de outros agentes infecciosos, como o Influenza B, o rinovírus e o metapneumovírus, criando um cenário complexo para a saúde respiratória da população. Para mais informações sobre o avanço da SRAG, consulte o alerta da Fiocruz.
Até o momento em 2026, o Brasil contabiliza 125.914 casos de SRAG, dos quais 53,4% tiveram resultado positivo para algum tipo de vírus respiratório, evidenciando a ampla circulação desses patógenos e a importância da vigilância epidemiológica contínua.
Fonte: cnnbrasil.com.br
