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Ancine investiga produtora de filme de Bolsonaro por supostas irregularidades

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) abriu um processo administrativo fiscalizatório contra a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo longa-metragem “Dark Horse”. A cinebiografia, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), está sob investigação por supostas irregularidades identificadas durante suas gravações em território nacional.

A ação da agência reguladora pode resultar na aplicação de uma multa à produtora, com valores que variam de R$ 2.000 a R$ 100 mil. A notificação à empresa foi emitida em 28 de julho, conforme informações divulgadas pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, marcando o início formal do processo.

Investigação da Ancine aponta falhas em registro de produção estrangeira

A Ancine classificou a obra como uma produção estrangeira, e a principal irregularidade apontada é a ausência de comunicação prévia à agência sobre as gravações realizadas no Brasil. Tal conduta representa um descumprimento da legislação vigente no setor audiovisual brasileiro, que exige o registro formal de produções estrangeiras filmadas no país.

A autarquia informou que tentou contato com a Go Up Entertainment em duas ocasiões distintas para obter esclarecimentos sobre a situação, mas não obteve resposta. A falta de retorno levou à formalização do processo administrativo, concedendo à produtora um prazo para a apresentação de sua defesa. A Superintendência de Fiscalização e Combate à Pirataria da Ancine será a responsável por fixar o valor definitivo da sanção.

O enquadramento legal e as datas de registro da obra

A legislação brasileira é clara ao exigir que a realização de gravações de obras audiovisuais estrangeiras no país seja precedida de notificação e registro formal junto ao órgão regulador. No caso de “Dark Horse”, a distribuidora Europa Filmes ingressou com o pedido de Registro de Obra Estrangeira para a produção apenas em junho de 2026, data que levanta questionamentos no processo.

É importante ressaltar que a apuração sobre a irregularidade administrativa não impede, por si só, a exibição do filme nos cinemas. Contudo, a emissão do Certificado de Registro de Título da obra pode ser condicionada ao desfecho do processo. A Go Up Entertainment, em seu portal oficial, declara ter sede na Califórnia (EUA), embora seus cadastros na Ancine a identifiquem como agente econômico desde julho de 2025, com endereço em São Paulo.

Detalhes da produção “Dark Horse” e controvérsias

O longa-metragem “Dark Horse” é dirigido pelo cineasta Cyrus Nowrasteh e tem como protagonista o ator norte-americano Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro. O elenco internacional inclui nomes como Lynn Collins e Esai Morales, além de contar com a participação de atores brasileiros, como Felipe Folgosi. Uma reportagem do Intercept revelou que a captação de recursos para o filme envolveu aportes de cerca de R$ 61 milhões, provenientes do empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, com a intermediação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A proprietária da Go Up Entertainment, Karina Ferreira da Gama, não possui outros trabalhos registrados no setor audiovisual, o que adiciona um elemento de ineditismo à sua atuação na produção de um projeto de tal envergadura. A produção também foi alvo de controvérsia política, com congressistas da base governista acionando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar adiar a estreia do filme, alegando possível propaganda eleitoral antecipada. O pedido, no entanto, foi rejeitado pelo presidente da Corte, ministro Nunes Marques.

O Poder360 buscou contato com a Go Up Entertainment para obter um posicionamento sobre o caso, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações da produtora.

Fonte: poder360.com.br

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