Senador aborda papel das filhas no cuidado da velhice durante evento de campanha
Em um evento recente focado nas eleições de 2026, onde foi anunciado o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente em sua chapa, um senador fez uma declaração que repercutiu amplamente. A fala, ocorrida nesta quarta-feira (5/8), abordou o papel das mulheres no cuidado com idosos e a motivação pessoal por trás de ter filhas.
O parlamentar expressou que teve duas filhas com a expectativa de que elas o auxiliem na velhice, fundamentando sua visão na percepção de que as mulheres são, em grande parte, as responsáveis pelos cuidados com os idosos. A declaração gerou discussões sobre as expectativas sociais e familiares impostas às mulheres, especialmente no contexto do trabalho de cuidado.
Declaração sobre o cuidado feminino na velhice
Durante o anúncio de sua chapa para as próximas eleições, o senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou categoricamente que suas duas filhas foram concebidas com o propósito de garantir seu cuidado na terceira idade. Ele justificou sua perspectiva ao destacar que, historicamente e na maioria dos casos, são as mulheres que assumem a responsabilidade pelos idosos.
“Muitas vezes, na grande parte das vezes, quem tem que tomar conta dos idosos são as mulheres. Eu fiz duas filhas exatamente para isso. Quando eu ficar velhinho, eu vou ter quem vai tomar conta de mim, porque as mulheres são assim: são família, são coração, são sentimento, são sensibilidade”, declarou o senador. Ele é pai de duas adolescentes, de 14 e 12 anos, fruto de seu casamento com a dentista Fernanda Bolsonaro.
A economia do cuidado e o valor do trabalho não remunerado
Ainda em seu discurso, o senador expandiu a discussão para o conceito da “economia do cuidado”, um tema que tem ganhado relevância em debates sobre políticas públicas e igualdade de gênero. Ele mencionou estar aprendendo sobre o assunto, que estima o valor financeiro do trabalho de cuidado não remunerado.
Segundo o parlamentar, se as mulheres fossem remuneradas por tarefas como cuidar de idosos e filhos, além de outras responsabilidades domésticas, a contribuição representaria cerca de 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Essa observação sublinha a dimensão econômica e social do trabalho de cuidado, frequentemente invisibilizado e majoritariamente desempenhado por mulheres.
Estratégia eleitoral e a escolha para a vice-presidência
O evento em questão, que marcou o anúncio da chapa para as eleições de 2026, revelou uma dinâmica interessante na estratégia de campanha. Inicialmente, a equipe do senador buscava uma mulher para a vaga de vice-presidente, com o objetivo de fortalecer o apoio junto ao eleitorado feminino, que constitui 52,8% dos votantes brasileiros.
Lideranças femininas proeminentes, como a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, filiada ao Republicanos, chegaram a ser consideradas para a posição. No entanto, a vaga acabou sendo preenchida pelo deputado federal Alfredo Gaspar, alterando a composição inicialmente visada pela campanha.
Alfredo Gaspar, o escolhido para a vice-presidência, possui um histórico político notável. Ele atuou como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em seu relatório final, Gaspar chegou a solicitar o indiciamento do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma recomendação que, contudo, foi rejeitada.
A declaração do senador, ao lado das discussões sobre a economia do cuidado e a estratégia de campanha, adiciona camadas ao debate público sobre o papel das mulheres na sociedade e na política. As falas ressaltam a complexidade das expectativas de gênero e o reconhecimento do valor do trabalho de cuidado em diversos âmbitos.
Fonte: metropoles.com
