Dexco registra queda expressiva no lucro líquido consolidado e ajusta operações
A Dexco, conglomerado detentor de marcas como Deca, Portinari e Duratex, divulgou seus resultados financeiros, revelando um cenário de contrastes no período analisado. Enquanto o lucro líquido consolidado da companhia registrou uma retração significativa, impulsionada por diversos fatores de mercado, o lucro líquido recorrente apresentou um crescimento, indicando uma performance ajustada a itens não usuais.
Os números refletem a dinâmica do setor e as estratégias internas da empresa para navegar em um ambiente econômico desafiador, com impactos distintos em suas divisões de negócio e na gestão de custos e despesas operacionais.
Desempenho financeiro da Dexco em análise
O lucro líquido consolidado da Dexco atingiu R$ 14,8 milhões, representando um recuo de 61,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Em contrapartida, ao considerar o critério recorrente, que exclui variações no valor das florestas e outros itens esporádicos, a companhia reportou um lucro líquido de R$ 33,8 milhões, um aumento de 13% na mesma base de comparação anual.
O Ebitda consolidado da empresa teve uma alta discreta de 0,5%, totalizando R$ 587,6 milhões, embora sua margem Ebitda tenha recuado 1,2 ponto percentual. No entanto, o Ebitda ajustado e recorrente demonstrou maior vigor, com um aumento de 23,7%, alcançando R$ 547,4 milhões, e sua margem cresceu 3,6 pontos percentuais, sinalizando uma melhora na eficiência operacional subjacente.
A receita consolidada do grupo também apresentou crescimento, elevando-se em 5,2% para R$ 2,23 bilhões. Esse avanço foi atribuído principalmente ao aumento na expedição de painéis de madeira, acompanhado por reajustes de preços e um mix de vendas mais favorável nesse segmento.
Gestão de custos e despesas operacionais
Na análise dos custos, a Dexco observou um aumento de 0,8% no custo dos produtos vendidos, que chegou a R$ 1,34 bilhão. Este incremento foi justificado pela elevação nos preços de insumos essenciais como metanol, ureia e petróleo, impactando diretamente a produção.
As despesas com vendas também avançaram 3,1%, totalizando R$ 315,9 milhões, um reflexo direto da maior expedição de painéis de madeira. Por outro lado, as despesas gerais e administrativas registraram uma redução de 10,2%, para R$ 74,7 milhões. Essa diminuição é resultado da continuidade das iniciativas de simplificação da estrutura organizacional e busca por eficiência administrativa implementadas pela direção.
O resultado financeiro do grupo, que compreende o saldo entre receitas e despesas financeiras, gerou uma despesa líquida de R$ 197,9 milhões. Contudo, esse valor representou uma queda de 0,8% na comparação anual, impulsionada pelo menor endividamento geral da companhia.
Fluxo de caixa, dívida e alavancagem
A Dexco reportou um fluxo de caixa livre positivo de R$ 120,7 milhões, um indicativo da melhora na gestão do capital de giro e da redução dos investimentos em projetos. A dívida líquida da empresa também apresentou uma baixa de 3,5% em relação ao trimestre anterior, totalizando R$ 5,13 bilhões.
Consequentemente, a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado anualizado, diminuiu de 2,99 vezes no período anterior para 2,72 vezes no trimestre atual, demonstrando uma melhoria na saúde financeira e na capacidade de pagamento da empresa.
Desempenho das divisões de negócio da Dexco
A LD Celulose, uma das investidas da Dexco, contribuiu com um lucro líquido de R$ 28,4 milhões para a parte da Dexco, marcando uma queda de 69,6% em comparação anual. Esse resultado foi influenciado por um cenário mais desafiador para os preços internacionais da celulose solúvel e pelos efeitos da variação cambial.
A expedição de itens internos da Dexco mostrou um comportamento misto: queda de 19,2% em louças e metais, estabilidade em revestimentos cerâmicos e aumento de 5,2% em madeira. A Divisão Madeira foi um destaque positivo, contribuindo com um Ebitda de R$ 485,1 milhões, um crescimento de 13,4% em comparação anual, impulsionado pelo aumento nas vendas e um mix de produtos de maior valor.
A Divisão de Louças e Metais, que inclui a marca Deca, registrou um Ebitda de R$ 55,6 milhões, um salto expressivo de 543%. Embora os volumes expedidos tenham crescido pouco, a divisão se beneficiou de reajustes importantes de preços nos últimos meses. Por fim, a Divisão Cerâmicos obteve um Ebitda de R$ 6,6 milhões, uma alta de 8,5%, resultado de um realinhamento estratégico entre produção e demanda, que levou à redução da capacidade produtiva.
