Devastação por tornados no Paraná: FAEP exige resposta rápida e crédito emergencial
A passagem de tornados pelo Paraná no último sábado (8) deixou um rastro de destruição em diversas regiões do estado, afetando severamente produtores rurais e moradores. Diante do cenário de casas, galpões e granjas danificados, além de quedas de árvores e postes que resultaram em interrupções no fornecimento de energia, o Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) vem a público cobrar medidas emergenciais dos governos estadual e federal.
Os fenômenos climáticos, registrados pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), atingiram municípios como Piraí do Sul, Telêmaco Borba, Tibagi, Guarapuava, Candói, Castro, Jaguariaíva e Nova Aurora. A entidade se prepara para formalizar os pedidos de apoio junto às Secretarias Estaduais da Agricultura e Abastecimento (Seab) e da Fazenda (Sefa), bem como à Companhia Paranaense de Energia (Copel), visando uma resposta coordenada e eficaz.
FAEP detalha demandas imediatas para áreas atingidas
Entre as principais solicitações do Sistema FAEP estão ações cruciais para a recuperação das comunidades e propriedades. A entidade enfatiza a necessidade de um levantamento urgente dos prejuízos por parte da Defesa Civil nos municípios mais afetados, a fim de dimensionar a extensão dos danos e direcionar os esforços de auxílio de forma precisa.
Outra demanda prioritária é o restabelecimento célere do fornecimento de energia elétrica pela Copel, essencial para a normalização da vida dos moradores e a retomada das atividades produtivas. Além disso, o Sistema FAEP clama pela criação de linhas de crédito emergencial pré-aprovado, destinado tanto às famílias quanto aos produtores rurais que tiveram suas propriedades e meios de subsistência comprometidos.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, ressalta a urgência dessas medidas. Segundo ele, a população das áreas rural e urbana necessita de uma resposta imediata e coordenada do Poder Público para iniciar a reconstrução e retomar suas atividades o mais breve possível. A agilidade na liberação de recursos é vista como fundamental para mitigar os impactos econômicos e sociais dos tornados.
Histórico de desastres climáticos exige prevenção e resposta ágil
A entidade não apenas foca nas ações pós-desastre, mas também relaciona o recente episódio ao aumento da ocorrência de eventos climáticos extremos no Paraná. O Sistema FAEP cobra do poder público a implementação de medidas preventivas mais robustas, argumentando que o histórico de desastres naturais no estado exige uma abordagem proativa.
Em julho, uma reunião na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) já havia abordado os efeitos do El Niño e as estratégias para enfrentar fenômenos como vendavais, granizo e tornados. O encontro reuniu diversas instituições, incluindo o Simepar, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável (Sedest), o Comitê de Governança Climática, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR), a Associação dos Municípios do Paraná (AMP), universidades e prefeituras.
Apesar das discussões, Meneguette critica a falta de ações efetivas. Ele aponta que não basta realizar reuniões e afirmar estar equipado se, na prática, não há auxílio eficaz quando um tornado ocorre. O presidente do Sistema FAEP enfatiza que são necessárias ações práticas e ágeis para proteger a população e o setor produtivo.
Dados apresentados pela entidade revelam que o Paraná registrou aproximadamente 6 mil desastres naturais na última década, afetando todos os 399 municípios do estado. Esses eventos impactaram mais de 4,5 milhões de pessoas e causaram prejuízos estimados em R$ 32 bilhões. Esse panorama reforça a urgência de ampliar a prevenção e desenvolver mecanismos de resposta rápida para as comunidades e produtores atingidos.
Precedente de Rio Bonito do Iguaçu reforça urgência de apoio
O Sistema FAEP utiliza o caso de Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, como um alerta. O município foi atingido por um tornado em novembro de 2025, com danos significativos que se estenderam a Porto Barreiro, Laranjeiras do Sul, Virmond, Guarapuava e Candói. Naquela ocasião, as condições especiais de apoio anunciadas pelo governo estadual não contemplaram parte dos produtores rurais afetados.
Nove meses após o desastre de 2025, muitos agricultores e pecuaristas ainda enfrentavam dificuldades para acessar as medidas de apoio necessárias à reconstrução de suas propriedades. O Sistema FAEP alerta que a situação de Rio Bonito do Iguaçu não pode se repetir, e cobra que os governos estadual e federal encontrem alternativas eficazes para atender a todos os produtores rurais que sofreram prejuízos. A entidade reafirma seu compromisso de continuar cobrando e atuando em prol dos agricultores e pecuaristas do estado.
Fonte: cnnbrasil.com.br
