Argentina: Umidade desregula safras com milho atrasado e trigo adiantado
O setor agrícola da Argentina enfrenta um período de incertezas e desafios devido às condições climáticas atípicas que têm afetado o desenvolvimento de duas de suas principais culturas: o milho e o trigo. A combinação de alta umidade, temperaturas elevadas e baixa radiação solar está gerando impactos distintos, mas igualmente preocupantes, para os produtores do país.
Enquanto a colheita do milho tardio sofre atrasos significativos, colocando em risco a qualidade dos grãos, o trigo, por sua vez, tem seu ciclo de desenvolvimento acelerado, o que pode comprometer sua produtividade futura e aumentar a suscetibilidade a doenças. A Bolsa de Comércio de Rosário (BCR) tem monitorado de perto este cenário, alertando para as potenciais consequências econômicas e produtivas, em linha com as análises de outros portais de notícias agrícolas que acompanham a safra na Argentina.
Atrasos na colheita do milho tardio e riscos à qualidade
A colheita do milho tardio na Argentina tem sido severamente impactada pela persistência da umidade elevada, resultando em um atraso considerável nos trabalhos de campo. No início de agosto, uma parcela significativa da área plantada, equivalente a cerca de 150 mil hectares, ainda aguardava a colheita, representando aproximadamente 47% do total.
Durante o mês de julho, o avanço da colheita foi praticamente paralisado, intensificando a apreensão entre os especialistas e produtores. As condições úmidas prolongadas têm levado a problemas como a germinação prematura dos grãos ainda nas plantas, um fenômeno que pode degradar a qualidade do produto final e gerar perdas econômicas substanciais para os agricultores.
A preocupação com a qualidade do milho é crescente, com técnicos de regiões como Alvear expressando receios sobre a condição das lavouras. A umidade excessiva não apenas dificulta a entrada de máquinas no campo, mas também cria um ambiente propício para a deterioração dos grãos, impactando diretamente o valor de mercado e a rentabilidade da safra.
Desenvolvimento acelerado do trigo e desafios ambientais
Em contraste com o milho, as lavouras de trigo apresentam, de modo geral, um bom desenvolvimento inicial. Contudo, as temperaturas elevadas registradas têm provocado uma antecipação no ciclo da cultura. Em localidades como Corral de Bustos, por exemplo, algumas áreas já se aproximam da fase de encanamento, um estágio que normalmente ocorre mais tarde no mês.
Apesar do avanço precoce, a umidade do solo tem beneficiado o trigo em outro aspecto: o crescimento das raízes. Este desenvolvimento radicular mais profundo permite que as plantas acessem uma maior quantidade de nutrientes e água, o que é um fator positivo para a resiliência da cultura em condições normais.
No entanto, a baixa disponibilidade de radiação solar surge como um ponto de atenção. Dados da rede GEA/BCR indicam que a radiação média diária entre 1º de junho e 31 de julho foi significativamente menor em comparação com o mesmo período de 2025. Esse cenário, combinado com temperaturas mais altas, reduz o chamado quociente fototérmico, um indicador crucial para o crescimento do trigo, podendo limitar a formação de perfilhos e, consequentemente, o número potencial de espigas por metro quadrado.
Ainda que o impacto final na produtividade não possa ser determinado com precisão neste momento, a alteração das condições ambientais exige monitoramento constante. Apesar desses desafios, muitas lavouras, como as de Bigand e Marcos Juárez, continuam a exibir boas condições, com um número saudável de perfilhos.
Preocupações com o avanço de doenças nas lavouras de trigo
A principal preocupação para as lavouras de trigo neste momento reside no potencial avanço de doenças. Embora ainda não haja uma ocorrência generalizada, a combinação de alta umidade, temperaturas elevadas e baixa circulação de ar cria um ambiente altamente favorável para o desenvolvimento e a proliferação de infecções.
Relatos de técnicos em Pergamino já apontam para a identificação de manchas de queima bacteriana, e a expectativa é de que a incidência de outras patologias aumente nas próximas semanas. Em General Villegas, mesmo com as lavouras em bom estado atualmente, as condições ambientais são consideradas ideais para o surgimento de infecções fúngicas, exigindo vigilância redobrada.
A avaliação em Alvear reflete uma preocupação com a falta de um “inverno adequado” para o trigo, caracterizado por frio e sol. Segundo os especialistas locais, seriam necessários cerca de 15 a 20 dias de condições climáticas mais frias e ensolaradas para mitigar os riscos e desfavorecer o avanço das doenças, garantindo um desenvolvimento mais robusto e saudável da cultura.
Fonte: cnnbrasil.com.br
