CNPE aprova suspensão de dívidas da Eletronuclear para Angra 3
O CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) autorizou, nesta terça-feira (14.jul.2026), uma resolução que considera de “interesse público” a solicitação da Eletronuclear. A estatal pede ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e à Caixa Econômica Federal a suspensão temporária das dívidas relacionadas às obras da usina de Angra 3, que estão paralisadas desde 2015.
A decisão facilita a negociação dos débitos da Eletronuclear com os bancos estatais. A empresa enfrenta um custo anual de R$ 1 bilhão para manter o projeto inativo, sendo R$ 800 milhões destinados ao pagamento das dívidas junto ao BNDES e à Caixa.
A Eletronuclear solicita a implementação de um mecanismo financeiro conhecido como “stand still”, que permite a extensão dos prazos das dívidas. A resolução do CNPE apoia o pedido da estatal para que os bancos avaliem a viabilidade da solicitação, respeitando suas normas internas e a legislação pertinente. Importante ressaltar que a decisão não modifica os contratos de financiamento existentes, nem suspende os pagamentos das dívidas.
Responsável pela operação das usinas nucleares no Brasil, a Eletronuclear enfrenta problemas financeiros e acumulou dívidas ao longo dos anos. As obras de Angra 3, iniciadas nos anos 1980, foram interrompidas em meio às investigações da Lava-Jato, que revelaram denúncias de corrupção. Atualmente, não há previsão para a retomada ou conclusão da construção.
Estimativas do governo indicam que 66% do projeto já estão concluídos, com um investimento total de R$ 12 bilhões até o momento. Um estudo do BNDES aponta que finalizar a usina custará cerca de R$ 24 bilhões, um valor que é considerado mais vantajoso do que o abandono do projeto, que acarretaria um prejuízo de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões sem gerar energia.
Após a reunião do CNPE, o ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) defendeu a continuidade do empreendimento e afirmou que a Eletronuclear planeja retomar as obras ainda neste ano. Em suas declarações, o ministro enfatizou a importância de concluir Angra 3, ressaltando que os investimentos já realizados não devem ser desperdiçados.
Silveira também atribuiu as dívidas da estatal ao governo anterior, que, segundo ele, fez gastos excessivos em contratações sem a devida autorização do CNPE. O ministro destacou que o governo atual está trabalhando para recuperar e reestruturar a empresa, buscando prorrogar os prazos das dívidas com os credores.
Fonte: poder360.com.br
