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Crescimento do PIB da China atinge menor nível em três anos no segundo trimestre

O crescimento econômico da China no segundo trimestre de 2023 desacelerou para seu menor nível em mais de três anos, apresentando resultados abaixo das expectativas do mercado e da meta governamental para 2026. Essa desaceleração reflete um descompasso persistente entre uma oferta robusta e uma demanda fraca, evidenciando desequilíbrios estruturais profundos.

De acordo com dados oficiais divulgados, o PIB (Produto Interno Bruto) da China avançou 4,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, um resultado inferior à previsão de 4,5% feita por analistas. Este desempenho também representa uma desaceleração em comparação ao crescimento de 5,0% registrado no primeiro trimestre de 2023.

Essa taxa de crescimento é a mais baixa desde o quarto trimestre de 2022, quando as rígidas restrições da política de combate à Covid-19 ainda impactavam a atividade econômica. O resultado também ficou abaixo da meta oficial de crescimento para o ano, que varia entre 4,5% e 5%, destacando os desafios que as autoridades enfrentam para reaquecer a demanda e sustentar o crescimento econômico.

A economia chinesa demonstra um crescimento desigual: enquanto a produção industrial se mantém robusta, impulsionada pelas exportações ligadas à inteligência artificial, o consumo e os investimentos permanecem pressionados pela crise prolongada do setor imobiliário e pelos efeitos globais do aumento dos preços do petróleo.

Expectativas e desafios para o crescimento econômico

O debate atual gira em torno de como Pequim pretende garantir o cumprimento da meta anual de crescimento. Analistas, como Hao Zhou da Guotai Haitong Securities, indicam que as autoridades devem focar no fortalecimento da demanda interna, especialmente em consumo e investimentos em infraestrutura. Contudo, Zhou descarta a possibilidade de um amplo pacote de estímulos, sugerindo que as autoridades podem optar por medidas direcionadas e graduais.

Os investidores estão atentos à reunião do Politburo no final de julho, onde se esperam sinais sobre novos estímulos que possam orientar a política econômica para o restante do ano. Na comparação com o trimestre anterior, o PIB cresceu 0,9% entre abril e junho, alinhando-se às expectativas dos analistas, após um avanço de 1,3% no primeiro trimestre.

Produção industrial e consumo em junho

Os dados de junho mostraram uma produção industrial forte, com crescimento de 5,3% na comparação anual, superando o avanço de 4,5% registrado em maio. As vendas no varejo também apresentaram um aumento de 1,0%, revertendo a queda de 0,6% observada no mês anterior. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pelas vendas de equipamentos de comunicação, produtos culturais e bebidas.

No entanto, o investimento em ativos fixos recuou 5,7% no primeiro semestre de 2023, superando as expectativas de queda de 4,9%. O setor imobiliário continua em forte retração, com investimentos caindo 18% em relação ao ano anterior, refletindo a fragilidade da demanda em todo o país.

Política fiscal como motor de estímulo

O primeiro-ministro Li Qiang destacou a necessidade de uma compreensão abrangente da atual situação econômica, enfatizando a importância de ajustes anticíclicos. Analistas preveem que Pequim deverá intensificar os estímulos fiscais para conter uma desaceleração adicional da economia, enquanto o banco central enfrenta limitações para promover um afrouxamento monetário mais agressivo.

Recentemente, a China apresentou seu primeiro plano quinquenal voltado ao fortalecimento do consumo, com a meta de elevar as vendas anuais no varejo para cerca de 60 trilhões de yuans até 2030. Especialistas alertam que, sem um apoio fiscal mais robusto às famílias, a recuperação do consumo pode ser lenta e gradual.

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