PCC: Operação Janus desvenda rede de financiamento com menções a Pms e doleiros
Uma complexa rede de financiamento e lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) foi o alvo da Operação Janus, deflagrada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo. A ação revelou um intrincado esquema que envolve doleiros, empresários e, notavelmente, menções a membros da alta cúpula da Polícia Militar do estado.
A investigação, fundamentada em mensagens interceptadas e detalhadas planilhas de transações financeiras, expõe a profundidade das conexões do grupo criminoso. Embora nomes de oficiais de alta patente da corporação sejam citados, é crucial destacar que esses militares não são investigados nem foram formalmente denunciados no âmbito desta operação.
Conexões na Polícia Militar sob escrutínio
As apurações trouxeram à tona os nomes de três oficiais da Polícia Militar: o coronel Pereira Martins, o coronel José Augusto Coutinho e o coronel “Patrício”. As menções a esses indivíduos surgem em diferentes contextos dentro da rede de financiamento do PCC, indicando possíveis interações indiretas ou diretas com os operadores do esquema.
O coronel Martins é descrito como tendo uma relação de amizade com Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza, alvos da operação. Registros apontam que o oficial participava de grupos de mensagens sociais e demonstrava disposição para intermediar contatos com outras autoridades, sugerindo uma proximidade com o círculo dos investigados.
Já o coronel Coutinho, que já atuou como comandante-geral da Polícia Militar e comandante da Rota, aparece em diálogos entre os investigados. Essas conversas indicam uma possível ligação com Amjad Ahmad, apontado como um dos operadores financeiros do grupo criminoso, embora sem detalhes sobre a natureza exata dessa conexão.
O coronel “Patrício”, por sua vez, é identificado em planilhas de despesas do grupo como um “cliente”, com registros de pagamentos em dinheiro vivo. Esses valores seriam provenientes de atividades ilícitas conhecidas como “ticketagem”. Mensagens interceptadas também revelam que os operadores buscavam levantar fundos para realizar pagamentos à polícia, reforçando a complexidade das relações.
O esquema financeiro e a atuação dos doleiros
A estrutura de lavagem de dinheiro do PCC, conforme detalhado pelo Ministério Público, era meticulosamente sustentada por operadores financeiros e doleiros. Esses indivíduos eram essenciais para blindar o patrimônio da facção, garantindo a movimentação de recursos ilícitos e a ocultação de sua origem.
Raphael Flores Rodriguez, conhecido como “Batata”, é apontado como um elo fundamental entre o PCC e a rede de doleiros. Ele possui um histórico criminal ligado a movimentações financeiras em favor da facção, consolidando sua posição central no esquema.
Outro nome de destaque na denúncia é Amjad Ahmad, responsável por operar parte do esquema a partir da região do Tatuapé. Em parceria com outros lavadores de dinheiro, Ahmad utilizava uma estrutura complexa para ocultar rendimentos e facilitar operações de comércio exterior, integrando o dinheiro ilícito ao sistema financeiro legal.
A facção como ‘banco’ e os ‘tribunais do crime’
O grupo investigado na Operação Janus não se limitava à lavagem de dinheiro, funcionando também como uma espécie de “banco” para a movimentação de recursos ilícitos da facção. Entre os principais clientes desse “banco” estava Leonardo Monteiro Moja, conhecido como “Léo do Moinho”, apontado como chefe do PCC na Favela do Moinho, no Centro de São Paulo.
A investigação também detalha o uso dos chamados “tribunais do crime” do PCC para resolver disputas, inclusive imobiliárias. Em um caso específico, o empresário Cléber Azevedo dos Santos teria recorrido a essa instância para solucionar um conflito envolvendo um imóvel de luxo na Riviera de São Lourenço. A resolução do problema teria exigido a intervenção direta da liderança da facção, demonstrando a abrangência de sua influência.
A Operação Janus resultou na prisão de 11 alvos, enquanto cinco permanecem foragidos. Nomes como “Leo do Moinho” e “Buiu”, que já estavam detidos, foram alvo de novos mandados de prisão, reforçando a gravidade das acusações. Entre os presos estão Cléber Azevedo dos Santos, Robson Martins de Souza, Antonio Carlos Ubaldo Junior, Paulo Rogério Silva (vulgo “Paulo Barão”), Odair Alves da Silveira Filho, Marlon Antonio Fontana e Bruno Ramos Fernandes, enquanto Leonardo Meirelles figura entre os foragidos.
Fonte: cnnbrasil.com.br
