Economia brasileira: CNI mantém PIB em 2% e alerta para desafios inflacionários
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou seu Informe Conjuntural do 2º trimestre, mantendo a projeção de crescimento de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026. Apesar da estabilidade na estimativa geral, a entidade revisou diversas expectativas setoriais e macroeconômicas, indicando um cenário de cautela, especialmente em relação à inflação e à política monetária.
A análise da CNI aponta que a economia continuará impulsionada por setores como a indústria extrativa, a agropecuária e a resiliência do setor de serviços. Contudo, fatores como juros elevados, condições financeiras restritivas e o aumento dos custos para as empresas são vistos como limitadores para uma recuperação mais robusta da atividade econômica nacional.
Panorama geral: CNI mantém projeção de PIB em 2%
A manutenção da estimativa de 2% para o crescimento do PIB em 2026 reflete uma visão de estabilidade, embora com nuances importantes. A CNI enfatiza que o crescimento dependerá, em grande parte, de segmentos menos suscetíveis ao alto custo do crédito, como a produção de commodities.
A entidade sublinha que, apesar de algumas revisões positivas em setores específicos, o ambiente de negócios ainda enfrenta obstáculos significativos que impedem um avanço mais acelerado da economia como um todo. A resiliência de algumas áreas, no entanto, compensa as dificuldades observadas em outras.
Setores da economia: desempenho variado impulsiona crescimento
A indústria extrativa se destaca como um dos principais motores, com sua expectativa de crescimento elevada de 7,8% para 9,1%, impulsionada pelo aumento da produção de petróleo. A indústria de transformação também registrou uma leve melhora, passando de 0,3% para 0,6%, com destaque para os setores de derivados de petróleo, produtos farmoquímicos e farmacêuticos, e automóveis. No entanto, a CNI alerta que apenas uma parcela dos segmentos da transformação apresentará crescimento.
A construção civil teve sua projeção revisada positivamente, de 1,3% para 1,5%, beneficiada por medidas de crédito imobiliário e investimentos em infraestrutura. O agronegócio também viu sua expectativa subir de 1,1% para 1,8%, sustentado por uma nova safra recorde de soja e pelo avanço da produção animal.
Em contraste, o setor de serviços foi o único a ter sua projeção revisada para baixo, de 2,1% para 1,9%. O endividamento das famílias, a inadimplência e os juros elevados são apontados como fatores que devem restringir o consumo, apesar do bom desempenho do mercado de trabalho e de atividades como varejo, informação e comunicação.
Inflação e juros: desafios para a política monetária
A CNI elevou sua estimativa para a inflação medida pelo IPCA de 4,4% para 5%. Essa revisão considera a alta nos preços de alimentos e combustíveis, além da persistência da inflação de serviços. Este cenário, segundo a entidade, reduz o espaço para cortes mais agressivos na taxa Selic.
A Confederação passou a projetar que o Banco Central realizará apenas mais dois cortes de 0,25 ponto percentual na Selic neste ano, resultando em uma taxa de juros de 13,75% ao final de 2026, uma elevação em relação à estimativa anterior de 12,75%.
Cenário fiscal e riscos externos: cautela no horizonte
Na esfera fiscal, a CNI prevê um crescimento real de 5,8% da receita líquida federal e uma alta de 4,5% nas despesas acima da inflação. O resultado esperado é um déficit de R$ 55,3 bilhões, similar ao registrado no ano anterior, com a dívida bruta alcançando 82% do PIB.
Internacionalmente, a guerra no Oriente Médio é citada como o principal risco para a economia global e brasileira, devido aos seus potenciais impactos sobre os preços de combustíveis, energia e fertilizantes. A entidade também expressa preocupação com o aumento das importações de bens de consumo, que pressionam a indústria nacional, e com a ampliação de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que pode afetar o superávit comercial projetado de US$ 77,9 bilhões.
Fonte: poder360.com.br
