Maestro da UFMT, Oliver Yatsugafu, é indiciado por assédio sexual e constrangimento
A Polícia Civil de Mato Grosso (PCMT) concluiu as investigações e indiciou o professor Oliver Yatsugafu, de 47 anos, por assédio sexual e constrangimento ilegal. O docente, que atua como diretor artístico da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e professor de violino no Departamento de Música da instituição, é acusado de condutas impróprias contra três alunas. Os inquéritos foram encaminhados ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para as devidas análises.
As apurações da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) resultaram no indiciamento do maestro em dois casos distintos, que envolvem uma estudante de música e duas musicistas. Apesar das acusações, Yatsugafu negou todas as imputações durante seu depoimento às autoridades, conforme apuração inicial da coluna.
Oliver Yatsugafu: perfil e as acusações que motivaram o indiciamento
Oliver Yatsugafu é uma figura reconhecida no cenário musical, tendo sido condecorado com o Mérito Cultural Carlos Gomes, no grau de Comendador, pela Sociedade Brasileira de Artes, Cultura e Ensino (SBACE). Sua atuação na UFMT abrange tanto a direção da Orquestra Sinfônica quanto o ensino de violino, cargos que lhe conferem uma posição de destaque na comunidade acadêmica.
No entanto, essa trajetória profissional agora é marcada por graves acusações. O professor foi indiciado pelo crime de assédio sexual contra uma estudante de 21 anos e por constrangimento ilegal contra outras duas musicistas, de 23 e 39 anos. A complexidade dos casos levou à abertura de inquéritos separados para cada situação.
O primeiro inquérito: assédio sexual e abalo emocional de estudante
O primeiro inquérito investigou um suposto caso de assédio sexual envolvendo uma estudante de música que participava de um projeto de extensão coordenado pelo professor. As diligências conduzidas pela DEDM incluíram a oitiva de familiares, colegas da vítima e outras pessoas ligadas ao ambiente universitário.
Os depoimentos coletados confirmaram o relato de abalo emocional da estudante e apontaram para comportamentos considerados invasivos e abordagens diferenciadas por parte do professor. Apesar da negação do maestro, a polícia concluiu que havia elementos suficientes para indicar, em tese, a prática do crime, resultando no indiciamento por assédio sexual.
Constrangimento ilegal: o episódio com as duas musicistas
O segundo inquérito se concentrou nas denúncias de constrangimento ilegal apresentadas por duas musicistas. Segundo a investigação, o incidente ocorreu durante uma reunião com o professor, antes de um ensaio no Departamento de Artes da UFMT, em novembro de 2025.
Na ocasião, Yatsugafu teria solicitado que as mulheres convencessem a estudante do primeiro caso a retomar as atividades do projeto musical. A polícia apurou que ele teria se posicionado em frente à porta da sala, impedindo a saída das duas por aproximadamente três minutos. As musicistas conseguiram deixar o local e buscaram refúgio em outro espaço da universidade, onde foram encontradas em estado de nervosismo e abalo emocional.
Em sua defesa, Oliver Yatsugafu negou ter restringido a liberdade das musicistas, alegando que a reunião se limitava a assuntos relacionados ao projeto musical. Contudo, os elementos da investigação levaram ao seu indiciamento também por constrangimento ilegal neste episódio.
Desdobramentos e a busca pela defesa do professor indiciado
Com a conclusão dos dois inquéritos, os processos foram encaminhados ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que agora analisarão as provas e decidirão sobre as próximas etapas legais. A situação gera grande repercussão no meio acadêmico e cultural, dada a proeminência do professor na UFMT.
Até o momento, a defesa de Oliver Yatsugafu não foi localizada pela coluna para um posicionamento. O espaço permanece aberto para manifestações futuras. A comunidade aguarda os desdobramentos judiciais para os casos que envolvem o professor e as alunas da universidade.
Fonte: metropoles.com
