Aproximação política na Bahia: PF detalha sugestão de ex-ministro a banqueiro
A Polícia Federal (PF) revelou, em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), uma sugestão do ex-ministro das Comunicações Fábio Faria (2020-2022) ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, para que este se aproximasse do Partido dos Trabalhadores (PT) da Bahia. A informação faz parte da investigação que envolve o senador Jaques Wagner (PT-BA), e foi tornada pública pelo ministro André Mendonça do STF em 30 de julho de 2026. O documento da PF detalha os esforços de Vorcaro para ampliar seus canais de interlocução no cenário político baiano, especialmente com figuras ligadas ao PT.
Detalhes da sugestão de aproximação política
O relatório da PF destaca uma conversa ocorrida em 22 de maio de 2024, na qual Daniel Vorcaro informou a Fábio Faria sobre um encontro com ACM Neto (União Brasil-BA), que teria oferecido “apoio total”. Em resposta, Faria sugeriu a Vorcaro: “Agora é aproximar o PT da Bahia”. Embora o documento não especifique o assunto do apoio mencionado por Vorcaro, a PF interpreta a troca de mensagens como um indício de que o fundador do Banco Master buscava fortalecer suas conexões políticas no estado. A menção de Faria de que a aproximação “não será problema” sugere uma percepção de viabilidade para tal articulação.
O diálogo completo entre os dois, conforme registrado no relatório da PF, foi:
- Daniel Vorcaro: “ACM foi lá em casa”
- Fábio Faria: “Bom demais”
- Daniel Vorcaro: “Dando apoio total”
- Fábio Faria: “Ele eh tranquilo”
- Fábio Faria: “Agora eh aproximar o PT da Bahia”
- Fábio Faria: “Mas isso não será problema”
- Fábio Faria: “O ideal eh sair bem”
- Fábio Faria: “Vai dar tudo certo. Se tiver algo solto a gente fecha em 24h”
A PF ressalta que a expressão “não será problema” utilizada pelo ex-ministro pode indicar uma facilidade na obtenção de apoio ou na abertura de canais de diálogo com integrantes do PT baiano. Contudo, o relatório não especifica se Fábio Faria tomou alguma providência ou se Daniel Vorcaro respondeu às últimas mensagens.
Investigação sobre senador e o Banco Master
A representação da PF que contém o diálogo entre Faria e Vorcaro foca na relação de gestores do antigo Banco Master com o senador Jaques Wagner. Os investigadores levantaram indícios de que o parlamentar teria recebido vantagens econômicas indevidas de integrantes do grupo. Entre os itens citados no relatório estão o uso gratuito de aeronaves, ingressos para shows, um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões e pagamentos a uma empresa ligada a familiares do senador.
O documento também aponta para um relacionamento “longo e duradoura” entre Wagner e Augusto Lima, então sócio de Vorcaro no Banco Master. Este vínculo, segundo a PF, teria aproximado o senador de Daniel Vorcaro. A investigação sugere que, em 2024 e 2025, Wagner teria recebido de Lima e Vorcaro, direta ou indiretamente por meio de familiares, “vantagens econômicas diversas” que poderiam estar correlacionadas à sua atuação no Congresso Nacional em temas de interesse do Banco Master no Senado. Para mais detalhes sobre a relação, clique aqui.
Operação Compliance Zero: o contexto da apuração
As investigações sobre supostas fraudes no Banco Master estão inseridas no escopo da Operação Compliance Zero. A operação foi inicialmente autorizada pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025, resultando na prisão provisória dos principais executivos ligados à instituição, que foi liquidada pelo Banco Central. Ainda em novembro, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) concedeu a liberdade aos investigados, mediante o uso de tornozeleira eletrônica.
O caso foi transferido para o Supremo Tribunal Federal em dezembro de 2025, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli. Ele autorizou a segunda fase da operação em janeiro de 2026, mas deixou a relatoria em 12 de fevereiro. O ministro André Mendonça assumiu a relatoria posteriormente. Daniel Vorcaro foi novamente detido no início de março, permanecendo na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Atualmente, ele apresentou uma proposta de delação premiada, que está em fase de análise pelo ministro do Supremo.
As fases da operação incluem:
- 1ª fase (18 de novembro de 2025): Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, um dia antes da deflagração oficial da operação, enquanto tentava deixar o Brasil. A ação cumpriu sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em quatro estados e no Distrito Federal. Vorcaro foi solto em 29 de novembro.
- 2ª fase (14 de janeiro de 2026): A PF realizou buscas em endereços ligados a Vorcaro, apreendendo carros, relógios e dinheiro.
O Poder360 buscou contato com o ex-ministro Fábio Faria, o senador Jaques Wagner e a assessoria de Augusto Lima para manifestações sobre as citações no relatório da PF, mas não obteve resposta até a publicação. O jornal também tentou contatar ACM Neto, sem sucesso, e informou que seguirá buscando um posicionamento.
Fonte: poder360.com.br
