Banco Master transfere R$ 3,6 bilhões em dívidas para gestora sob investigação da PF
O Banco Master realizou o repasse de ao menos R$ 3,6 bilhões em créditos de dívidas para fundos vinculados à Reag, uma gestora que se encontra sob investigação da Polícia Federal. As apurações da PF abrangem suspeitas de fraudes bancárias e lavagem de dinheiro, com possíveis conexões com o crime organizado no setor de combustíveis.
Essa movimentação financeira foi identificada em um levantamento detalhado de 112 operações de crédito cedidas a terceiros. A lista de empréstimos foi apresentada à Justiça pelo liquidante do Master, em um contexto de recurso judicial onde Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, busca anular o congelamento de seus bens.
Operações Financeiras Sob Escrutínio da Polícia Federal
A Polícia Federal investiga a Reag por seu suposto papel na estruturação e administração de fundos suspeitos. Tais fundos teriam movimentado recursos de maneira atípica e inflado resultados, apresentando indícios de fraude e lavagem de dinheiro. João Carlos Mansur, fundador da Reag, é um dos alvos centrais dessa investigação.
A linha de apuração dos investigadores sugere que as operações de repasse de dívidas teriam como objetivo principal permitir que o Banco Master abrisse espaço para a emissão de novos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e a obtenção de empréstimos. Nesse esquema, o banco captaria recursos via CDBs, que seriam então emprestados a empresas. Essas empresas, por sua vez, aplicariam o dinheiro em fundos específicos.
A suspeita é que esses fundos utilizariam parte dos valores para adquirir os próprios empréstimos concedidos às empresas. Dessa forma, os valores não seriam cobrados, e o eventual calote recairia sobre os fundos, mascarando a origem e o destino dos recursos. Os R$ 3,6 bilhões foram repassados a 11 fundos distintos, em operações registradas entre 2021 e 2025.
Conexões com a Estrutura Frozen e o Crime Organizado
Entre as operações analisadas, seis delas somam R$ 130 milhões em empréstimos concedidos a empresas do grupo Gafisa, que tem entre seus acionistas o investidor Nelson Tanure. No mesmo dia da concessão, essas dívidas foram repassadas para o fundo Yvrac Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, que possui participação do próprio Banco Master. As transações ocorreram a partir de 2022, com a última registrada em setembro do ano passado.
O último informe trimestral do fundo Yvrac, elaborado pela Reag, declarou que “os lastros apresentados estão em conformidade com a característica do fundo (Direitos Creditórios) e correspondem aos ativos refletidos na carteira”, buscando atestar a regularidade das operações.
Adicionalmente, o Banco Master repassou R$ 357 milhões em créditos de dívidas a um dos fundos mencionados na Operação Carbono Oculto. Esta operação investiga crimes envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC), apurando fraudes, lavagem de dinheiro e o uso de empresas e fundos para ocultação de recursos ilícitos no setor de combustíveis.
O fundo em questão, Astralo 95, é parte da chamada “estrutura Frozen”. Essa estrutura é composta por fundos cujos nomes fazem referência a personagens da animação “Frozen”, da Disney, como Olaf, Hans, Sven e Anna. As operações de crédito repassadas ao fundo Astralo 95 foram contraídas por oito pessoas físicas e jurídicas diferentes, entre os anos de 2022 e 2024.
Movimentações Suspeitas e o Papel dos Fundos
O Astralo 95 também é alvo de ações do liquidante do Banco Master, que busca impedir o desaparecimento de bens da instituição. Em uma das peças processuais, o fundo Astralo é citado em uma negociação onde o fundo Anna teria obtido um lucro de R$ 200 milhões em menos de um dia, evidenciando a complexidade e a rapidez das transações.
Nessa transação específica, o fundo Anna adquiriu cotas do fundo RSG, pertencentes ao Astralo 95, pelo valor de R$ 900 milhões. No mesmo dia, essas cotas foram revendidas ao fundo Máxima 2, que é controlado pelo Banco Master, por R$ 1,1 bilhão. Tais operações levantam questionamentos sobre a finalidade e a transparência das movimentações financeiras entre os fundos envolvidos.
A investigação da Polícia Federal, que abrange a gestora Reag, busca desvendar a extensão dessas práticas e as possíveis implicações para o sistema financeiro, especialmente considerando as suspeitas de ligação com o crime organizado e a lavagem de dinheiro.
Fonte: metropoles.com
