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Brasil rechaça sobretaxa e aciona lei de reciprocidade em disputa comercial

O governo brasileiro emitiu uma nota oficial rechaçando a sobretaxa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais, uma medida que o país considera sem base legal. Em resposta, o Planalto anunciou a intenção de acionar imediatamente os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, sinalizando uma postura firme diante da política comercial protecionista. A decisão estadunidense, que afeta produtos brasileiros sob a justificativa de uma investigação sobre trabalho forçado, gerou um comunicado oficial que critica a manipulação de temas sensíveis como direitos humanos para fins comerciais.

Contestações à base legal e acionamento da reciprocidade

O governo brasileiro, por meio de nota oficial, reiterou sua posição de que a sobretaxa de 12,5% aplicada a produtos nacionais carece de fundamentação jurídica. A Presidência da República destacou que não há “base legal” para sustentar a imposição de novas tarifas por parte dos Estados Unidos. Diante dessa avaliação, o país comunicou que iniciará os trâmites para invocar a Lei de Reciprocidade, um mecanismo que permite ao Brasil adotar medidas equivalentes em resposta a ações comerciais consideradas desfavoráveis ou injustas por outras nações. Essa lei visa proteger os interesses comerciais e a soberania econômica do país em cenários de disputas internacionais.

Compromisso brasileiro no combate ao trabalho forçado

A nota oficial brasileira também abordou a questão do trabalho forçado, tema central da investigação que motivou as tarifas estadunidenses. O governo enfatizou o reconhecimento da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aos “fortes compromissos assumidos no combate ao trabalho forçado” pelo Brasil. Para ilustrar essa dedicação, o documento ressaltou que o Brasil é signatário de 66 Convenções da OIT que estão em vigor, enquanto os Estados Unidos teriam aderido a apenas 10 dessas convenções. As Convenções da OIT são tratados internacionais que estabelecem padrões fundamentais de proteção aos trabalhadores, abrangendo desde a proibição do trabalho forçado e infantil até a garantia de igualdade salarial. O Planalto reforçou que o combate ao comércio de bens relacionados ao trabalho forçado é uma prioridade, intensificada por políticas domésticas multidimensionais que incluem fiscalização, prevenção, acolhimento de vítimas e combate ao trabalho escravo contemporâneo.

Imposição de tarifas e o cenário comercial global

A decisão de aplicar novas tarifas foi confirmada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que anunciou a medida contra 60 países que, segundo o órgão, teriam se beneficiado comercialmente de produtos ligados ao trabalho forçado. As alíquotas variam: 10% para nações que se comprometeram a proibir a importação de trabalho forçado e 12,5% para aquelas que não teriam adotado tal proibição. O Brasil foi enquadrado na alíquota mais elevada, somando-se a outras taxas já aplicadas anteriormente, como a de 25% decorrente de investigações sobre práticas comerciais brasileiras consideradas desleais pelos EUA. O USTR justificou que a determinação das taxas e o escopo das tarifas são apropriados para eliminar as práticas consideradas passíveis de ação em sua investigação, avaliando que 53 outras economias, além do Brasil, falharam em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado.

Fonte: cnnbrasil.com.br

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