China lança organização global para governança de inteligência artificial com apoio do Brasil
O presidente da China, Xi Jinping, anunciou a criação de uma nova entidade global focada na governança e no desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA): a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (Waico). O movimento, antecipado por veículos de imprensa, representa a principal estratégia de Pequim para consolidar sua liderança internacional no setor de IA, buscando moldar as normas e a direção do avanço tecnológico em escala global.
A iniciativa chinesa visa promover um desenvolvimento mais inclusivo e aberto das novas tecnologias, combatendo a tendência de monopólio ou duopólio que atualmente caracteriza o cenário da IA, dominado principalmente por China e Estados Unidos. O anúncio sublinha o compromisso da China em fomentar a cooperação internacional e garantir que os benefícios da IA sejam amplamente distribuídos, evitando a concentração de poder tecnológico.
Waico: a nova aposta chinesa na governança de IA
Em seu discurso, o líder chinês enfatizou que a cooperação entre os países é o pilar central da Waico. Ele declarou que a China está preparada para adotar uma postura mais aberta e prática para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades que a IA apresenta. A visão é construir um futuro melhor para a humanidade por meio de esforços conjuntos no desenvolvimento e na regulamentação da tecnologia.
A criação da Waico foi oficialmente revelada durante o primeiro dia da Conferência Mundial de Inteligência Artificial (Waic), um evento que ocorre anualmente em Xangai. A presença inédita de Xi Jinping nesta nona edição da conferência ressalta a importância estratégica que a China atribui à IA e o papel fundamental que o país pretende desempenhar na sua evolução global. A cidade de Xangai, inclusive, foi escolhida para sediar a nova organização, reforçando a ambição chinesa de transformá-la na capital mundial da IA.
Princípios para o futuro da IA global
Durante sua fala, Xi Jinping delineou quatro princípios essenciais que, segundo ele, devem guiar a governança da IA e serem monitorados pela Waico. Esses pontos refletem a abordagem chinesa para um desenvolvimento tecnológico responsável e equitativo. Eles buscam equilibrar inovação com segurança e inclusão.
- Aderir ao princípio da abertura e da cooperação vantajosa para todos, impulsionando o desenvolvimento orientado pela inovação.
- Fortalecer a consciência dos riscos e garantir que a IA seja segura e controlável.
- Incentivar a inclusão e promover a aprendizagem mútua entre civilizações.
- Defender a solidariedade e aprimorar a governança global.
Esses pilares demonstram a intenção da China de promover um modelo de governança que não apenas estimule o avanço tecnológico, mas também mitigue seus riscos potenciais e garanta que a IA sirva ao bem-estar coletivo, com uma perspectiva de colaboração internacional.
Alianças e ausências na fundação da Waico
A Waico foi formalmente lançada em uma cerimônia prévia, liderada pelo ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi. Neste evento, 30 países assinaram o documento que estabelece a organização, com o Brasil figurando entre os membros fundadores. A participação brasileira destaca o alinhamento de certas nações com a visão chinesa para a governança da IA.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antonio Guterres, também esteve presente no lançamento, expressando apoio à iniciativa. Contudo, a ausência de algumas das nações mais influentes no cenário global e tradicionalmente ligadas ao Ocidente foi notável. Países como Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha, Canadá e Índia optaram por não aderir à Waico em sua fundação, indicando uma divisão geopolítica na abordagem da governança da IA. Entre os países europeus, apenas Rússia, Bielorrússia e Sérvia se juntaram à organização.
A lista dos membros fundadores da Waico inclui uma diversidade de nações, refletindo a busca da China por um consenso mais amplo, embora com uma clara divisão entre blocos. Entre eles estão:
- China
- Brasil
- Rússia
- Paquistão
- Argélia
- África do Sul
- Bielorrússia
- Camboja
- Camarões
- Congo
- Cuba
- Cazaquistão
- Etiópia
- Indonésia
- Quênia
- Quirquistão
- Laos
- Lesoto
- Malásia
- Moçambique
- Mianmar
- Nicarágua
- Omã
- Senegal
- Sérvia
- Tajiquistão
- Uzbequistão
- Venezuela
- Zâmbia
A formação da Waico e a lista de seus membros fundadores sinalizam uma nova fase na corrida pela liderança e regulamentação da Inteligência Artificial, com a China posicionando-se como um ator central na construção de um arcabouço global para essa tecnologia transformadora. A iniciativa reflete uma ambição estratégica de longo prazo para influenciar o futuro da inovação tecnológica.
Fonte: poder360.com.br
