Finanças & Economia

Dólar recua no Brasil e Ibovespa fecha estável em pregão de cautela global

O mercado financeiro brasileiro registrou um dia de movimentos contidos, com o dólar comercial encerrando em queda e o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), fechando praticamente estável. Enquanto as bolsas americanas experimentavam fortes ganhos impulsionados pelo otimismo em torno da temporada de balanços corporativos, o cenário doméstico permaneceu sob a influência de fatores externos e internos, gerando um pregão sem direção definida.

Investidores mantiveram o foco na escalada das tensões no Oriente Médio, na trajetória dos preços do petróleo e nos seus potenciais impactos sobre a inflação e as taxas de juros no Brasil. A sessão refletiu uma postura de cautela, com o desempenho local destoando da euforia observada nos mercados desenvolvidos.

Dólar em queda apesar da valorização global

O dólar comercial fechou em baixa, cotado a R$ 5,073, representando um recuo de 0,18% em relação ao pregão anterior. Essa desvalorização da moeda americana frente ao real ocorreu mesmo em um dia de valorização do dólar no mercado internacional, onde o índice DXY, que compara a divisa a uma cesta de seis moedas fortes, avançou 0,24%, atingindo 101,20 pontos.

Analistas apontam que a queda do dólar no Brasil pode ser parcialmente atribuída à expectativa de entrada de recursos no país, especialmente aqueles provenientes das exportações de petróleo. Segundo Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, a moeda é beneficiada “sem dúvidas, por expectativas de entrada de dólares no país trazidos pela balança comercial com petróleo valorizado”.

Apesar da retração do câmbio, o mercado doméstico demonstra cautela persistente em relação aos efeitos da alta do petróleo sobre a inflação e ao panorama fiscal brasileiro, fatores que continuam a pesar nas decisões dos investidores.

Ibovespa: estabilidade em contraste com mercados externos

O Ibovespa encerrou o dia com uma leve baixa de 0,03%, alcançando 173,3 mil pontos, destoando do vigoroso desempenho dos mercados desenvolvidos. Esse movimento reflete uma clara preferência dos investidores por ativos negociados em países com economias mais consolidadas neste momento.

Perri observa que o Ibovespa opera “de lado hoje, destoando do mercado norte-americano, sem movimento definido, em pregão no qual as bolsas dos EUA sobem forte”. Ele complementa que há um movimento de preferência por mercados desenvolvidos, com bolsas europeias em alta, ignorando a pressão nos preços do petróleo e com otimismo em relação aos resultados corporativos nos EUA. No Brasil, contudo, o mercado exibe pouco fôlego, com a curva de juros em abertura, mesmo com a queda do dólar.

Entre os papéis que se destacaram positivamente, as empresas ligadas ao setor de petróleo registraram ganhos. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) avançaram 1,43%, enquanto os papéis da Vale subiram 0,43%. Os principais bancos também apresentaram valorizações moderadas, abaixo de 1%, com exceção do Banco do Brasil (BBAS3), que teve um salto de 3,52%. Em contrapartida, a WEG figurou entre as principais quedas do índice, recuando 1,53%.

Petróleo impulsiona setor e mantém atenção à inflação

O petróleo voltou a registrar uma forte alta no dia. O barril do tipo Brent, referência internacional da commodity, avançou 2,01%, sendo negociado a US$ 91,01. Já o WTI teve um aumento de 2,26%, fechando cotado a US$ 84,34. A valorização da commodity impulsionou as ações do setor, mas também acende um alerta para os riscos inflacionários.

Em contraste, companhias mais sensíveis ao comportamento das taxas de juros, especialmente dos setores de varejo, consumo e construção civil, estiveram entre as maiores quedas da sessão. Nos Estados Unidos, os principais índices acionários confirmaram o tom positivo, com o S&P 500 avançando 0,89%, o Dow Jones subindo 0,74% e o Nasdaq 100 liderando os ganhos com alta de 1,93%.

Esse desempenho positivo nos EUA reflete o otimismo dos investidores com a temporada de balanços corporativos, que tem sustentado a demanda por ações, em particular no setor de tecnologia. Para o próximo pregão, a expectativa é de um dia mais esvaziado do ponto de vista macroeconômico, com o mercado mantendo a atenção nos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, nas pesquisas eleitorais e nos resultados das grandes companhias americanas.

Fonte: metropoles.com

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