Política

Haddad acusa Tarcísio de ingenuidade política em meio a novas tarifas dos EUA

O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), criticou nesta quinta-feira (16.jul.2026) a postura do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em relação ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano). A declaração de Haddad surge após a decisão norte-americana de impor uma taxa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o país, intensificando as tensões comerciais entre as duas nações.

Em suas declarações a jornalistas, Haddad expressou a esperança de que Tarcísio reavalie sua posição de apoio aos Estados Unidos, classificando-a como uma “ingenuidade muito grande”. O ex-ministro enfatizou a necessidade de uma autocrítica por parte do governador paulista, dadas as recentes medidas tarifárias que impactam diretamente a economia brasileira.

Segundo Haddad, o Estado de São Paulo é o mais afetado pela nova taxação, o que deveria ser um motivo para a união dos paulistas contra a postura do governador. Ele descreveu a ação dos EUA como “agressiva e indesculpável”, argumentando que um governo está transformando dois países amigos em nações hostis, sem justificativa, após 200 anos de parceria.

Haddad critica postura de Tarcísio diante de tarifas americanas

A imposição de tarifas pelos Estados Unidos tem gerado repercussão no cenário político brasileiro. A crítica de Fernando Haddad a Tarcísio de Freitas sublinha a divisão de opiniões sobre a política externa e as relações comerciais com o governo Trump. A declaração do pré-candidato petista busca associar a política de apoio ao governo norte-americano a consequências econômicas diretas para o Brasil, especialmente para São Paulo.

A discussão levanta questões sobre a estratégia diplomática brasileira e a capacidade de negociação do país diante das pressões comerciais. A retórica de Haddad sugere que o alinhamento com a administração Trump pode ter sido um erro estratégico, que agora se manifesta em prejuízos econômicos para o Brasil.

A investigação comercial que culminou no tarifaço

A tarifa adicional de 25% foi proposta em 1º de junho de 2026, após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluir uma investigação da Seção 301 contra o Brasil. A medida foi apresentada como resposta a práticas comerciais injustas, conforme classificação do governo norte-americano.

O documento do USTR detalha diversos alvos da apuração, incluindo o sistema de pagamentos Pix, o comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. Uma das conclusões aponta que políticas públicas brasileiras favorecem o Pix, colocando empresas norte-americanas do setor de pagamentos eletrônicos em “desvantagem injusta”.

Entre 6 e 7 de julho, o USTR promoveu uma audiência pública em Washington para discutir a proposta de tarifas. O governo Lula optou por não enviar representantes para discursar, com integrantes da Embaixada do Brasil presentes apenas como observadores. O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Planalto, compareceu no segundo dia da audiência, mas seu depoimento não alterou a decisão final.

Reações do governo brasileiro e a linha do tempo das taxas

O governo brasileiro manifestou “indignação” com a decisão do USTR em 2 de junho de 2026. No mesmo dia, Flávio Bolsonaro enviou uma carta a Marco Rubio, senador dos EUA, posicionando-se contra o tarifaço e propondo negociações após as eleições. Equipes técnicas dos dois governos realizaram diversas reuniões do Grupo de Trabalho instituído para as negociações, além de cinco reuniões de alto nível com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. A última ocorreu em 14 de julho, um dia antes do anúncio do novo tarifaço.

O Planalto considera as tarifas “injustas” e retirou temas como o Pix da mesa de negociação, indicando uma postura mais firme. Em 10 de julho, o presidente Lula se reuniu com ministros para avaliar o cenário final das negociações. Anteriormente, em 13 de julho, Lula havia expressado a crença de que “não teria o tarifaço”, sem, contudo, esclarecer os motivos de sua avaliação.

A decisão final do governo dos EUA sobre as tarifas foi anunciada em 15 de julho de 2026, confirmando a imposição da taxa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Esta medida se soma a um histórico de ações tarifárias que têm marcado as relações comerciais entre os dois países nos últimos anos.

O histórico das tarifas dos Estados Unidos contra o Brasil

As primeiras tarifas dos EUA foram impostas em 2 de abril de 2025, quando o governo Trump estabeleceu taxas recíprocas com base inicial de 10% para 125 países, incluindo o Brasil. No total, 185 nações e territórios foram afetados por essa medida, que visava reduzir o déficit comercial norte-americano. Na época, Trump justificou a taxação afirmando que “cidadãos norte-americanos trabalhadores foram forçados a ficar à margem enquanto outras nações enriqueciam e se tornavam poderosas”.

Em 15 de novembro de 2025, Washington formalizou a redução de tarifas de importação sobre alguns produtos como carne bovina, café, tomate e banana. O decreto assinado por Trump cancelou a tarifa recíproca de 10% imposta inicialmente em abril, mas manteve uma taxa adicional de 40%, decretada em agosto do mesmo ano. Pouco depois, em 20 de novembro de 2025, os Estados Unidos revogaram a tarifa de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros específicos, como carne, café e frutas, marcando a última medida tarifária de 2025 em relação ao Brasil.

O cenário mudou em 20 de fevereiro de 2026, quando a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, por 6 votos a 3, que as tarifas globais impostas por Trump eram ilegais. Contudo, no mesmo dia, o presidente assinou um novo decreto para impor uma tarifa global de 10% a todos os países, reiniciando o ciclo de tensões comerciais que agora culmina na tarifa adicional de 25% sobre o Brasil.

Fonte: poder360.com.br

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