Iprev Maceió sob investigação: PF apura consultoria por favorecimento a banco em aportes milionários
A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação para investigar supostas irregularidades em investimentos realizados pelo Iprev de Maceió. A apuração foca na atuação de uma consultoria contratada pelo instituto de previdência municipal, que teria agido de forma articulada para favorecer um banco específico na aplicação de recursos destinados a aposentados e pensionistas.
Os investigadores cumpriram oito mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em uma ação que visa esclarecer as circunstâncias de aportes que totalizam R$ 97 milhões. Esses valores foram aplicados em Letras Financeiras de uma instituição bancária que, posteriormente, foi liquidada.
Ações da Polícia Federal e o foco da apuração
A investigação da Polícia Federal concentra-se na empresa Crédito e Mercado, contratada pelo Iprev de Maceió para oferecer suporte técnico na alocação de seus recursos. A suspeita é que a consultoria não tenha atuado de forma imparcial, mas sim influenciado diretamente a elaboração de análises e a seleção de ativos considerados de alto risco, beneficiando o Banco Master.
Elementos reunidos pela PF indicam que o processo de aceitação do banco para os investimentos teria sido “genérico”, baseando-se em materiais fornecidos pela própria instituição financeira, em vez de análises independentes e aprofundadas. Essa prática levanta questionamentos sobre a diligência e a transparência na gestão dos fundos previdenciários.
O papel da consultoria nos investimentos do Iprev Maceió
A consultoria Crédito e Mercado é apontada como peça-chave na elaboração dos documentos que embasaram os investimentos milionários. Além disso, a PF aponta que a empresa teria criado planilhas comparando o banco beneficiado com outras instituições de perfis de risco distintos. Esse procedimento, segundo os investigadores, teria gerado uma “aparência documental de competitividade”, fazendo com que o banco parecesse a opção mais vantajosa sem uma comparação efetiva entre ativos equivalentes.
Um dos principais articuladores para o avanço desses investimentos, conforme a PF, seria um dirigente e interlocutor técnico da consultoria, suspeito de omitir alertas de segurança cruciais para viabilizar os aportes. A atuação da consultoria é vista como fundamental para a concretização das operações financeiras sob suspeita.
Os indivíduos sob investigação e as acusações
A operação da Polícia Federal teve como alvo indivíduos com diferentes níveis de responsabilidade dentro do Iprev de Maceió e da consultoria envolvida. As suspeitas variam desde a assinatura de autorizações de aportes até a omissão de informações e indícios de enriquecimento ilícito. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra:
- Ex-diretor-presidente do Iprev, investigado por assinar autorizações e por indícios de enriquecimento ilícito.
- Ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev, atuante no núcleo técnico responsável por instruir processos e validar análises de risco.
- Dirigente e interlocutor técnico da consultoria, suspeito de articular pareceres para favorecer o banco.
- Integrante do núcleo de governança do Iprev, vinculado à Secretaria Municipal da Fazenda e signatária de deliberações.
- Participante do Comitê de Investimentos do Iprev, atuando em órgãos de fiscalização e representação.
- Membro do Conselho de Administração do Iprev e atual secretário municipal de Fazenda.
É importante notar que um dos sócios da Crédito e Mercado, um advogado, também é investigado em outro caso de repercussão envolvendo entidades e descontos indevidos de aposentados, embora não tenha sido alvo desta operação específica.
A defesa do Iprev e o contexto dos aportes
Em resposta às investigações, o Iprev de Maceió afirmou estar colaborando plenamente com as autoridades, prestando todos os esclarecimentos e fornecendo as informações solicitadas. O instituto reforçou que todos os atos relacionados aos investimentos no banco observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis.
Os aportes investigados foram realizados entre 2023 e 2024, durante uma gestão municipal anterior. A Polícia Federal busca, com esta operação, esclarecer as circunstâncias do processo de credenciamento, cotação, análise de risco, governança e tomada de decisão que antecederam os investimentos, além de apurar a possível prática de gestão fraudulenta e outros delitos conexos. O Iprev também destacou que seu patrimônio cresceu significativamente, de aproximadamente R$ 400 milhões em 2021 para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, o que, segundo o órgão, assegura o pagamento de aposentados e pensionistas.
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Fonte: metropoles.com
