Keiko Fujimori assume presidência do Peru com promessa de combater corrupção e criminalidade
Keiko Fujimori, líder do partido Fuerza Popular, assumiu a presidência do Peru nesta terça-feira (28.jul.2026) para um mandato que se estende até 2031. A cerimônia de posse, realizada no Congresso peruano em Lima, coincidiu com as celebrações dos 205 anos da Independência do país. Em seu discurso inaugural, a nova chefe de Estado delineou um plano de governo focado no combate à corrupção, no fortalecimento das instituições estatais e em uma postura mais rigorosa contra o crime organizado.
A posse de Fujimori ocorre após uma eleição acirrada em junho, onde ela venceu por uma margem de menos de 50 mil votos contra Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú. Esta foi a 4ª vez que Keiko Fujimori se candidatou à Presidência, e sua vitória marca o retorno do sobrenome Fujimori ao Palácio do Governo após 26 anos, em um período de intensa volatilidade política no Peru, caracterizado por uma sucessão de presidentes, conflitos constantes entre o Executivo e o Congresso, e uma série de escândalos de corrupção que abalaram a confiança pública.
Compromisso com a recuperação nacional e o combate à corrupção
Em seu pronunciamento no Congresso, Keiko Fujimori enfatizou a urgência de restaurar a ordem e a confiança no país. “Vamos recuperar cada bairro, cada estrada, cada espaço público para as famílias peruanas”, declarou, ressaltando o apoio de seu partido, o Fuerza Popular, que detém maioria tanto na Casa Alta quanto na Casa Baixa do parlamento. A presidente descreveu o cenário que herda como um “Estado enfraquecido pela corrupção”, lamentando que recursos essenciais tenham sido desviados, comprometendo o financiamento de hospitais, escolas e programas sociais, enquanto parcelas significativas da população ainda lutam para garantir a alimentação diária.
A presidente apresentou sete objetivos estratégicos para seu mandato. Entre as prioridades, destacam-se o combate à criminalidade, à corrupção e à pobreza, além do fortalecimento dos programas sociais destinados às famílias peruanas e a recuperação da capacidade operacional do Estado. Fujimori anunciou a implementação de um “cronômetro irreversível” para a administração pública, estabelecendo metas claras e prazos definidos para que os servidores públicos entreguem resultados concretos à população.
Estratégias para segurança pública e enfrentamento ao El Niño
No âmbito da segurança, a presidente Fujimori detalhou medidas robustas para restaurar a tranquilidade no país. Ela anunciou que as Forças Armadas atuarão temporariamente na liderança de operações em Estados com altos índices de violência, em colaboração estreita com a Polícia Nacional. A estratégia inclui a ampliação do uso de tecnologia, com a implementação de um sistema nacional de videomonitoramento, o desenvolvimento de plataformas de inteligência artificial para mapear e antecipar ocorrências criminais, e a criação de novos centros de comando para coordenar as operações de segurança em todo o território.
Além disso, Keiko Fujimori abordou a questão dos impactos do fenômeno El Niño, uma preocupação climática recorrente na região. A presidente informou que editará decretos de urgência e solicitará ao Congresso poderes especiais para acelerar ações de prevenção e mitigação. Serão realizados investimentos significativos em infraestrutura, incluindo a construção e manutenção de barragens, diques, canais de irrigação, sistemas de abastecimento de água e a modernização da malha rodoviária, visando proteger as comunidades e a economia peruana dos efeitos adversos do fenômeno.
Composição ministerial e o retorno do sobrenome Fujimori
Na véspera de sua posse, a presidente Keiko Fujimori divulgou os primeiros nomes que integrarão sua equipe ministerial. O vice-presidente eleito, Luis Galarreta, foi confirmado como Presidente do Conselho de Ministros, cargo equivalente ao de primeiro-ministro. Para a pasta da Economia, foi anunciado o economista Elmer Cuba, enquanto o Ministério das Relações Exteriores será liderado por Carlos Espá. Os demais ministros foram empossados no mesmo dia da cerimônia principal, completando a formação do novo governo.
Keiko é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000 e foi condenado por corrupção e violações de direitos humanos. Durante sua campanha eleitoral, a atual presidente buscou distanciar-se das condenações que recaíram sobre seu pai, embora tenha defendido publicamente parte de suas políticas de segurança. O retorno do sobrenome Fujimori ao Palácio do Governo após mais de duas décadas é um marco na política peruana, gerando expectativas e debates sobre o futuro do país.
Cerimônia de posse e o cenário político de conciliação
A solenidade de posse de Keiko Fujimori foi precedida por uma série de atos oficiais das Fiestas Patrias, incluindo a tradicional Missa e Te Deum na Catedral de Lima e cerimônias militares, nas quais a presidente eleita participou ao lado do então presidente José María Balcázar. Para a ocasião, Keiko vestiu um modelo azul exclusivo, desenhado pela estilista peruana Patricia Musiris, adornado com bordados inspirados nas flores de Huancayo e detalhes confeccionados por artesãos locais, simbolizando a cultura e a identidade do Peru.
A cerimônia contou com a presença de diversas autoridades internacionais, incluindo o rei Felipe VI da Espanha e os presidentes Javier Milei (Argentina), Daniel Noboa (Equador), José Raúl Mulino (Panamá), Santiago Peña (Paraguay), José Antonio Kast (Chile) e Yamandú Orsi (Uruguai). O governo brasileiro foi representado pelo chanceler Mauro Vieira. Nos dias que antecederam a posse, Keiko Fujimori adotou um discurso de conciliação, reconhecendo a necessidade de negociar com outras bancadas no Congresso, uma vez que os partidos de direita não possuem maioria suficiente para aprovar todas as propostas do governo. Após o discurso no Congresso, a presidente seguiu para o Palácio do Governo, onde recebeu os chefes de Estado e representantes das delegações estrangeiras. A posse mobilizou apoiadores do Fuerza Popular nas ruas de Lima, o que levou as autoridades a reforçarem a segurança no centro histórico da capital, com bloqueios e restrições de acesso durante os eventos oficiais.
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Fonte: poder360.com.br
