Moraes busca esclarecimentos sobre monitoramento eletrônico de condenada por atos em Brasília
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou à Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo explicações detalhadas sobre supostas violações identificadas no monitoramento eletrônico de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como Débora do Batom. A determinação judicial exige que o órgão se manifeste em até cinco dias, buscando clarear as circunstâncias das falhas reportadas no dispositivo de segurança.
A medida do ministro surge em um contexto de rigor crescente na fiscalização das condições impostas a condenados por crimes contra o Estado, especialmente aqueles relacionados aos eventos de 8 de janeiro. A apuração visa determinar se as interrupções no sinal da tornozeleira eletrônica resultaram de problemas técnicos ou de um descumprimento deliberado das medidas cautelares pela ré.
Investigação sobre a Integridade do Monitoramento Eletrônico
A principal preocupação de Moraes reside na integridade do sistema de monitoramento eletrônico. Ele demandou que a Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo, por meio de seu Núcleo de Monitoramento de Pessoas, forneça todas as informações pertinentes sobre o funcionamento da tornozeleira de Débora do Batom. O ministro quer saber se as falhas foram operacionais ou se houve uma violação das condições impostas pela Justiça.
Caso seja constatado um erro técnico, Moraes exigiu que sejam tomadas as providências necessárias para a imediata correção da irregularidade. A Secretaria, conforme noticiado, já recebeu o documento e se comprometeu a responder aos questionamentos dentro do prazo estabelecido, indicando a seriedade com que o caso está sendo tratado pelas autoridades.
O Histórico de Débora do Batom e os Atos de 8 de Janeiro
Débora Rodrigues dos Santos foi condenada pelo STF a uma pena de 14 anos de prisão por sua participação nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes em Brasília foram invadidas e depredadas. Ela ficou notória por pichar a frase “Perdeu, mané” na estátua “A Justiça”, localizada em frente ao edifício do Supremo Tribunal Federal, um ato que simbolizou a afronta às instituições democráticas.
Desde março de 2025, Débora cumpre prisão domiciliar, uma decisão que veio após um período de prisão preventiva em um presídio comum e um parecer favorável da Procuradoria Geral da República. Em setembro do mesmo ano, o ministro Moraes manteve o direito à prisão domiciliar, com a condição de que todas as medidas cautelares fossem rigorosamente observadas.
Questionamentos sobre Cursos e Condições de Prisão Domiciliar
Além das questões relacionadas ao monitoramento eletrônico, o ministro Alexandre de Moraes também solicitou à Penitenciária Feminina de Tremembé informações detalhadas sobre a regularidade de cursos específicos realizados por Débora. Os cursos em questão são “Reescrevendo minha história: marketing – TAR” e “Reescrevendo minha história: PLANEJ”.
Moraes pediu os certificados de conclusão desses cursos, devidamente assinados pelas autoridades competentes. Essa solicitação adiciona uma camada de escrutínio sobre as atividades da condenada durante seu período de cumprimento de pena, buscando garantir a conformidade com as diretrizes do sistema prisional e judicial.
Implicações da Violação de Medidas Cautelares
O pedido de esclarecimentos de Moraes ocorre após a defesa de Débora do Batom ter argumentado, em maio deste ano, que os registros de ausência de sinal de GPS não configuravam tentativa de fuga ou descumprimento das condições impostas pela Justiça. A defesa alegou que as falhas poderiam ser de ordem técnica e não intencionais.
A condenação de Débora do Batom é parte de um conjunto de centenas de processos julgados pelo STF em resposta aos atos de 8 de janeiro. As medidas cautelares aplicadas nesses casos são rigorosas e incluem, além do uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, a proibição de uso de redes sociais, o cancelamento de passaportes e a restrição de comunicação com outros investigados. A comprovação de qualquer violação dessas regras pode resultar na regressão imediata do condenado para o regime fechado, sublinhando a seriedade da investigação em curso.
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Fonte: poder360.com.br
