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Disparada do querosene de aviação impulsiona gastos bilionários para aéreas brasileiras

As principais companhias aéreas do país registraram um aumento significativo nos gastos com querosene de aviação (QAV), superando em R$ 5,2 bilhões o valor previsto para 2026. Esse acréscimo, conforme dados da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), é atribuído à forte elevação das cotações do petróleo no mercado internacional, um cenário agravado por um conflito geopolítico.

O cálculo da associação reflete o reajuste de 1,9% no combustível, anunciado pela Petrobras em 1º de agosto de 2026, que elevou a alta acumulada do produto para 49% desde fevereiro. A situação demonstra a vulnerabilidade do setor aéreo às flutuações do mercado de energia, impactando diretamente a estrutura de custos das operadoras.

Impacto financeiro do querosene de aviação nas operações

O custo do querosene de aviação tornou-se um dos maiores desafios para as companhias aéreas em 2026. A Abear, que representa empresas como Latam, Azul e Gol, informou que o QAV passou a corresponder a 39% dos custos operacionais após o reajuste mais recente, um aumento notável em comparação aos 32% registrados antes do período de instabilidade internacional.

Houve momentos em que o preço do combustível chegou a dobrar em maio, se comparado ao período anterior ao conflito, resultando em um impacto financeiro de R$ 1,6 bilhão para as empresas naquele mês. Essa escalada de preços levou as companhias a adotarem medidas drásticas, incluindo o cancelamento de até 93 voos por dia entre abril e maio, a retirada de aeronaves de grande porte de circulação e a redução da oferta de assentos diários.

Medidas governamentais e a pressão sobre o setor

Diante da crescente pressão, o governo federal implementou ações para aliviar a carga sobre o setor, incluindo o QAV em um plano de subvenções com isenção de impostos federais. Essa desoneração, inicialmente válida até 31 de maio, foi prorrogada até 31 de julho, mas não obteve nova renovação.

Executivos da Latam, durante a divulgação de resultados em 4 de agosto, expressaram que as iniciativas governamentais não foram suficientes para conter os impactos no setor. Um executivo da empresa destacou que as regras de precificação do combustível não foram alteradas durante a alta do barril de petróleo, diferentemente do que ocorreu com o diesel e a gasolina. Ele ressaltou que a integralidade do preço internacional continuou sendo repassada às empresas nacionais, mantendo a pressão sobre os custos. Outro executivo da Latam complementou que, embora as medidas tenham sido positivas, seu impacto material na redução dos custos foi limitado.

Dinâmica de preços da Petrobras e o mercado

A Petrobras realiza revisões mensais nos valores do combustível de aviação, baseando-se nas cotações internacionais do petróleo e seus derivados, nos custos de importação e na taxa de câmbio. Essa política de preços reflete a volatilidade do mercado global.

No auge do conflito, em abril, a estatal elevou o preço do QAV em mais de 56%, seguido por um novo aumento de 18% em maio. Posteriormente, houve duas reduções consecutivas, de 14,2% em junho e de 14,4% em julho. Contudo, em agosto, o preço voltou a subir 1,9%. Em comunicado, a Petrobras ressaltou que comercializa o combustível para distribuidoras, que são responsáveis pelo transporte e pela venda final nos aeroportos. A empresa também afirmou que o mercado nacional é aberto à concorrência, sem impedimentos legais, regulatórios ou logísticos para a atuação de outras produtoras ou importadoras de querosene de aviação.

Fonte: poder360.com.br

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