Republicanos destina 43% das emendas de comissão à Paraíba, revela relatório
O estado da Paraíba, berço do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), recebeu aproximadamente R$ 95 milhões em emendas de comissão do Orçamento do ano passado, conforme relatório da Transparência Brasil.
Esse valor representa 43,5% do total de cerca de R$ 218,4 milhões em emendas encaminhadas pela liderança do partido em 2025. O estudo revela que o Republicanos é um dos sete partidos que, ao todo, indicaram R$ 1,3 bilhão em emendas sem a identificação do autor real, ou seja, do parlamentar responsável pela indicação dos recursos.
Até o momento, foram registradas 260 emendas assinadas pela liderança do Republicanos, atualmente sob a responsabilidade do deputado Gilberto Abramo (MG), das quais 84 foram direcionadas à Paraíba.
Em 2026, dados parciais até maio indicam R$ 373,8 milhões em emendas sem identificação dos autores. Todos os partidos com emendas assinadas por líderes em 2025, exceto o Solidariedade, mantiveram essa prática, incluindo o PT.
Os dados de 2026 também mostram que aproximadamente um terço das emendas de comissão assinadas por líderes é de autoria do Republicanos, totalizando R$ 126,5 milhões. A CNN entrou em contato com a assessoria da liderança do partido e da Presidência da Câmara, mas ainda aguarda resposta.
Além do Republicanos, outros partidos como PP, União Brasil, PL, Avante, Podemos e Solidariedade também indicaram emendas de comissão via líderes em 2025.
As emendas de comissão deveriam incluir o detalhamento de qual deputado sugeriu a emenda, mas, na prática, as bancadas têm realizado indicações gerais, assinadas por líderes partidários, ocultando os reais autores.
De acordo com a Transparência Brasil, essa prática substituiu o que era conhecido como “orçamento secreto”, caracterizado por indicações gerais através das emendas do relator-geral do orçamento.
Recentemente, as emendas de comissão voltaram a ser alvo de bloqueios. O relator de ações sobre emendas no STF, o ministro Flávio Dino, determinou o bloqueio de até R$ 119,2 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, devido a investigações da Polícia Federal sobre direcionamentos irregulares de emendas.
Valdemar negou as acusações, afirmando que apenas sugere direções a líderes partidários e comissões. A decisão de Dino foi criticada por Hugo Motta, que a classificou como uma “indevida intervenção judicial” contra uma “atividade típica do Parlamento”.
Além de Valdemar, outra decisão de Dino resultou no bloqueio de R$ 6,1 milhões em bens do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG), aliado de Hugo Motta e ex-presidente da Câmara, que também negou irregularidades.
Segundo a Polícia Federal, a servidora da Câmara, Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca“, teria recebido “pleno aval” da Presidência da Câmara para promover desvios de emendas em favor de Cunha. Mariângela afirmou que sua atuação era “estritamente técnica, apartidária e impessoal”.
Novo “orçamento secreto”
Em 2022, uma decisão do STF considerou inconstitucional o chamado “orçamento secreto” e extinguiu as emendas de relator. Desde então, as emendas de comissão aumentaram em volume, mesmo sem pagamento impositivo.
De acordo com o estudo da Transparência Brasil, em 2022, apenas R$ 136,1 milhões foram pagos em emendas de comissão. Em 2024 e 2025, os montantes cresceram significativamente, alcançando R$ 8,3 bilhões e R$ 9,3 bilhões, respectivamente, incluindo restos a pagar de exercícios anteriores.
