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Salles multado pelo Tre-sp por campanha antecipada e ataques a rival político

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) impôs duas multas ao candidato ao Senado pelo estado, Ricardo Salles (Novo), totalizando R$ 10 mil. As penalidades foram aplicadas em decorrência de propaganda eleitoral antecipada e pelo impulsionamento de conteúdo negativo direcionado ao seu adversário, André do Prado (PL). O deputado federal e ex-ministro do Meio Ambiente ainda detém o direito de recorrer da decisão judicial.

A determinação do TRE-SP surge após uma representação formal apresentada pelo diretório estadual do Partido Liberal (PL). A queixa focou em um vídeo divulgado por Salles em seu perfil na rede social Instagram, onde ele se apresentava explicitamente como pré-candidato ao Senado por São Paulo. No mesmo material, ele questionava a legitimidade de seu oponente para representar o eleitorado de direita.

Vídeo contestado e a estratégia de desqualificação

O vídeo em questão, que motivou a ação judicial, utilizava uma combinação de trechos de entrevistas e imagens geradas por inteligência artificial. Entre as representações criadas digitalmente, uma delas mostrava André do Prado como uma marionete, supostamente controlada por um dirigente partidário. Essa abordagem visual foi um dos pontos centrais da controvérsia, caracterizando o conteúdo como uma forma de ataque direto e desqualificação do adversário.

A defesa de Ricardo Salles argumentou que a publicação se enquadrava no exercício legítimo da crítica política. Segundo os advogados, o conteúdo estaria fundamentado em fatos públicos e documentáveis da trajetória de André Luís do Prado. Eles sustentaram que não houve um pedido explícito de não voto, nem a divulgação de informações sabidamente inverídicas ou ofensas abusivas à honra do oponente. A defesa também alegou que o impulsionamento do vídeo visava promover a própria pré-candidatura de Salles e que as imagens questionadas eram charges ou caricaturas políticas, manifestamente artificiais, cuja ausência de rotulagem seria uma irregularidade sanável mediante a inserção posterior de uma advertência.

Análise judicial e a natureza da infração eleitoral

A juíza Claudia Fonseca Fanucchi, responsável pelo caso, recusou os argumentos apresentados pela defesa de Salles e julgou procedente a representação do PL. Em sua análise, a magistrada destacou que o conteúdo do vídeo não se dedicava a apresentar propostas, realizações, projetos ou qualidades pessoais do representado. Pelo contrário, a construção verbal e audiovisual concentrava-se na figura de André Luís do Prado, buscando associá-lo a agentes e segmentos políticos que seriam supostamente rejeitados pelo público-alvo.

A decisão judicial enfatizou que o vídeo procurava qualificar Prado como subordinado a um dirigente partidário e afastá-lo do campo ideológico da direita. A juíza entendeu que a autopromoção de Salles ocorria unicamente por contraste, ou seja, ele pretendia apresentar-se como uma alternativa legítima através da desqualificação de seu concorrente. Além disso, a magistrada apontou que a irregularidade da conduta também residia na forma de apresentação da mensagem, na utilização eleitoral de conteúdo manipulado e, crucialmente, na contratação de publicidade paga para ampliar o alcance da publicação, caracterizando o impulsionamento como parte da infração.

As regras eleitorais brasileiras visam garantir a igualdade de condições entre os candidatos, coibindo práticas que possam desequilibrar a disputa antes do período oficial de campanha. A propaganda antecipada e a disseminação de conteúdo negativo impulsionado são consideradas infrações porque podem influenciar o eleitorado de forma indevida, distorcendo o debate público e a livre formação da vontade dos votantes. A decisão do TRE-SP reforça a fiscalização sobre o uso de plataformas digitais e inteligência artificial nas campanhas políticas.

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) continua a monitorar as atividades de pré-campanha para assegurar a conformidade com a legislação vigente. O caso de Ricardo Salles serve como um lembrete da importância de observar as normas que regem a comunicação política, especialmente em um cenário onde as ferramentas digitais e a inteligência artificial se tornam cada vez mais presentes nas estratégias eleitorais.

Fonte: metropoles.com

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