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Washington retalia: vistos de 16 autoridades brasileiras são revogados pelos EUA

As relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos foram marcadas por uma série de decisões significativas por parte do governo norte-americano, que resultaram na revogação de vistos de ao menos 16 autoridades brasileiras. Essas medidas, iniciadas em 2025 sob a administração do então presidente Donald Trump, refletem tensões e retaliações a ações específicas do governo e do Judiciário brasileiro, gerando um cenário de incerteza para os envolvidos e para o diálogo bilateral.

As suspensões de vistos tiveram início em julho de 2025, quando a administração Trump ordenou a revogação imediata do visto do ministro Alexandre de Moraes e de outros sete ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A justificativa apresentada pelo governo norte-americano foi a de uma “caça às bruxas política” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a medida visava responsabilizar estrangeiros envolvidos em atos de censura a liberdades protegidas por lei dos EUA.

Primeira onda de revogações: o foco no Supremo Tribunal Federal

A primeira leva de revogações de vistos, em julho de 2025, atingiu diretamente membros do STF. Além do ministro Alexandre de Moraes, outros sete ministros tiveram seus documentos cancelados. A lista incluía Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Edson Fachin, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso. Essa ação foi uma clara retaliação às decisões do STF que, na visão de Washington, cerceavam liberdades e perseguiam politicamente o ex-presidente Bolsonaro, um aliado de Trump.

Sanções por programa social e diplomacia

Em agosto de 2025, o foco das sanções norte-americanas mudou, atingindo o ministro Alexandre Padilha e seus familiares com a revogação de seus vistos. Embora a medida não tenha tido efeitos práticos imediatos para Padilha, cujo visto já estava vencido, ela afetou sua mulher e filha. A justificativa para essa ação foi o programa Mais Médicos, implementado durante a primeira gestão de Padilha no Ministério da Saúde (2011-2014), no governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Para o governo dos EUA, o programa foi considerado um “golpe diplomático inconcebível de ‘missões médicas’ estrangeiras”. Funcionários e ex-funcionários do governo brasileiro, da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) e seus familiares também foram alvos.

Judiciário e governo sob escrutínio: sanções ampliadas

As ações de revogação de vistos se intensificaram em setembro de 2025, quando os EUA cancelaram documentos de autoridades ligadas ao governo e ao Judiciário brasileiro. Entre os afetados estavam o advogado-geral da União, Jorge Messias, e funcionários do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, tanto no STF quanto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A justificativa novamente se relacionou a decisões do STF, especialmente aquelas referentes a Bolsonaro, que havia sido condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Além das revogações de vistos, o governo norte-americano anunciou a aplicação de sanções da Lei Magnitsky a Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, e ao instituto Lex, ligado à família do magistrado. A lista de nomes com vistos suspensos em setembro de 2025 incluía, além de Jorge Messias, José Levi (ex-AGU), Benedito Gonçalves (ex-ministro do TSE) e Airton Vieira (juiz instrutor no gabinete de Moraes no STF).

Tensão diplomática: o caso da embaixadora em Washington

A mais recente revogação de visto ocorreu em 4 de agosto de 2026, quando o Departamento de Estado dos EUA cancelou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A decisão, conforme noticiado pela Associated Press, foi uma resposta ao atraso do governo brasileiro em aprovar o nome de Daniel Perez como embaixador dos EUA no Brasil. Apesar da suspensão, a embaixadora Viotti poderá permanecer em Washington, e a medida não a declara como persona non grata. No entanto, o Departamento de Estado afirmou que, caso ela deixe os Estados Unidos, precisará solicitar um novo visto para retornar ao país.

Procedimentos de revogação e o impacto prático

Os Estados Unidos não informam necessariamente as pessoas que tiveram seus vistos cancelados. O efeito prático da revogação só se manifesta quando o indivíduo tenta viajar para o país. Ao fazer o check-in, seja digitalmente ou no aeroporto, o visto é checado, e a companhia aérea informa que o embarque não poderá ser realizado. Essa política adiciona uma camada de incerteza para as autoridades brasileiras que podem ter sido afetadas pelas medidas de Washington, como detalhado em reportagens do Poder360.

Fonte: poder360.com.br

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