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EUA impõem tarifas adicionais de 50% a produtos do Canadá em escalada comercial

Os Estados Unidos anunciaram a imposição de uma tarifa adicional de 50% sobre uma série de produtos importados do Canadá. A medida, assinada pelo presidente Donald Trump em 20 de julho de 2026, entrará em vigor à 0h01 de 19 de agosto de 2026, horário de Washington, marcando uma escalada significativa nas tensões comerciais entre os dois países.

A decisão é fundamentada na Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, que permite ao presidente norte-americano aplicar sobretaxas quando considerar que outro país impõe restrições desiguais ou discrimina o comércio dos Estados Unidos. A administração Trump alega que o Canadá tem mantido práticas comerciais injustas em setores como veículos, bebidas alcoólicas e laticínios, prejudicando produtores e trabalhadores americanos.

EUA justificam novas tarifas contra o Canadá com desequilíbrios comerciais

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) detalhou as razões para a imposição das tarifas, apontando restrições canadenses a produtos norte-americanos. Segundo o USTR, todas as províncias e territórios canadenses, com exceção de Alberta e Saskatchewan, suspenderam a compra, distribuição ou venda de bebidas alcoólicas dos Estados Unidos em março de 2025. Essas restrições não foram aplicadas a bebidas de outros países, gerando um tratamento comercial desigual.

Como resultado dessas práticas, as importações canadenses de bebidas dos Estados Unidos caíram drasticamente. De março de 2025 a fevereiro de 2026, houve uma redução de cerca de 81%, passando de US$ 718 milhões para US$ 137 milhões, em comparação com o período anterior de 2024-2025. Gráficos divulgados pelo USTR ilustram essa queda acentuada nas exportações de vinho, destilados e cerveja dos EUA para o Canadá entre 2024 e 2025, evidenciando o impacto das restrições.

Impacto nas exportações de veículos e laticínios dos Estados Unidos

Além das bebidas, o USTR também criticou as políticas canadenses para o setor automotivo. Washington argumenta que o Canadá aplica tarifas e cotas a veículos norte-americanos que não são impostas a modelos importados de outras nações. Essas cotas, segundo os EUA, incentivam as montadoras a manter a produção em território canadense, e o Canadá teria reduzido os limites concedidos a empresas que transferiram fábricas para os Estados Unidos.

Essa política resultou em uma queda de cerca de 22% nas importações canadenses de veículos norte-americanos, de US$ 25,9 bilhões para US$ 20,3 bilhões, entre abril de 2025 e março de 2026. No mesmo período, as importações de veículos do México, Japão, Coreia do Sul e Alemanha registraram aumento, variando de 10,1% a 23,6%.

No setor de laticínios, a queixa dos EUA foca nas regras canadenses que impedem varejistas de acessar cotas destinadas a produtos dos Estados Unidos, enquanto o mesmo acesso é permitido para queijos da União Europeia, apesar de acordos comerciais com ambos os mercados.

Canadá busca diálogo em meio à escalada das tensões comerciais

Em resposta às ações dos Estados Unidos, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que o Canadá já havia apresentado propostas para resolver as divergências comerciais. Ele reiterou que tarifas anteriores impostas pelos EUA violaram o acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA).

Carney destacou que a disputa comercial tem elevado os custos para as famílias, especialmente nos Estados Unidos, e reafirmou a disposição do Canadá para negociar uma solução. A postura canadense busca um caminho diplomático para desescalar as tensões e proteger seus interesses econômicos.

Regulamentação e a amplitude das novas sobretaxas

A Seção 338 da Lei Tarifária de 1930 confere ao presidente norte-americano a autoridade para aplicar tarifas adicionais, desde que a sobretaxa não exceda 50% do valor do produto e não entre em vigor antes de 30 dias do decreto presidencial. As novas tarifas serão somadas às já existentes e afetarão mercadorias que atendam às regras de origem do USMCA.

Uma vasta gama de produtos será impactada, incluindo:

  • Vinho
  • Tacos de hóquei
  • Cimento
  • Laticínios
  • Piscinas
  • Móveis
  • Varas de pesca
  • Sementes
  • Roupas
  • Perucas

No entanto, algumas categorias foram isentas, como produtos energéticos, potassa, pescados, minerais críticos e itens já submetidos às tarifas da Seção 232. A íntegra do comunicado do governo norte-americano pode ser consultada aqui.

Fonte: poder360.com.br

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